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Guia prático

Quando trocar de psicólogo e como encerrar a terapia

Trocar de psicólogo é legítimo e às vezes necessário. Veja sinais de que o encaixe não está funcionando, situações que pedem saída imediata e como encerrar o processo de forma cuidadosa.

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Trocar não é fracasso

Muita gente continua por meses com um profissional com quem não se sente bem por medo de ser injusto, de recomeçar ou de "desistir da terapia". Mas o vínculo com o terapeuta é parte importante do processo. Se ele não se forma, mesmo depois de algum tempo e de conversas, procurar outra pessoa pode ser a melhor decisão para o seu cuidado.

Sinais de que o encaixe não está funcionando

  • você sente que não consegue falar com sinceridade, mesmo depois de várias sessões;
  • tem a impressão frequente de não ser compreendido ou de ser julgado;
  • não entende como o profissional trabalha e não recebe explicações quando pergunta;
  • os objetivos nunca foram conversados, ou você sente que o processo não tem direção;
  • a abordagem não combina com o que você procura, por exemplo quando quer mais estrutura e o trabalho é muito livre, ou o contrário.

Antes de decidir, vale levar essas impressões para a sessão. Muitas vezes, a conversa já muda o rumo do trabalho. O guia sobre como saber se a terapia está funcionando traz outros pontos para observar.

Situações que pedem saída imediata

Algumas situações não pedem paciência:

  • quebra de sigilo sem justificativa ética ou legal;
  • desrespeito, humilhação ou preconceito, inclusive sobre raça, gênero, orientação sexual, religião ou deficiência;
  • qualquer forma de assédio ou de envolvimento afetivo ou sexual por parte do profissional;
  • promessa de cura, pressão para comprar produtos ou cursos, ou pressão para decisões pessoais;
  • atendimento por alguém sem registro ativo no CRP, quando a pessoa se apresenta como psicóloga.

Nesses casos, você pode encerrar o atendimento sem aviso prévio. Situações que envolvem falta ética podem ser levadas ao Conselho Regional de Psicologia da região do profissional.

Como encerrar com cuidado

Quando não há falta grave, encerrar com uma conversa costuma ajudar. Você não precisa justificar em detalhes: basta dizer que decidiu fazer uma pausa ou procurar outro profissional. Algumas pessoas aproveitam a última sessão para revisar o que foi trabalhado e o que ainda falta.

Você pode pedir ao profissional indicações de colegas de outra abordagem, se fizer sentido. Pergunte também sobre pendências práticas, como sessões já pagas ou documentos.

E a alta?

Em muitos processos, o encerramento é planejado em conjunto, quando os objetivos foram alcançados ou a pessoa sente que tem recursos para seguir sozinha. Às vezes, as sessões vão ficando mais espaçadas antes do fim. Encerrar não impede voltar no futuro, com o mesmo profissional ou com outro.

Pausar em vez de encerrar

Nem toda interrupção precisa ser definitiva. Questões financeiras, mudança de cidade, uma fase de muito trabalho ou a sensação de que é hora de experimentar seguir sozinho podem levar a uma pausa combinada. Conversar sobre isso permite planejar como retomar, se for o caso, e o que fazer se algo difícil acontecer nesse intervalo.

Quando a vontade de sair faz parte do processo

Às vezes, a vontade de parar a terapia aparece justamente quando temas difíceis começam a surgir. Isso não significa que você deva ficar para sempre, mas vale observar: a vontade de sair tem relação com o profissional e com a forma de trabalho, ou com o desconforto de mexer em assuntos dolorosos? Levar essa pergunta para a sessão costuma esclarecer muito.

Registros e documentos

Os psicólogos mantêm registros do atendimento, protegidos por sigilo. Se você precisar de um documento sobre o acompanhamento, por exemplo para dar continuidade com outro profissional, pode pedir. O psicólogo avaliará o tipo de documento adequado para a finalidade.

Mudanças práticas que às vezes resolvem

Antes de trocar, vale considerar se ajustes resolveriam o incômodo: mudar a frequência das sessões, alternar entre online e presencial, rever os objetivos ou pedir que o profissional explique melhor a forma de trabalho. O guia sobre frequência das sessões ajuda nessa conversa.

Dar um retorno antes de decidir

Muitas vezes vale dizer ao psicólogo o que não está funcionando antes de decidir sair. Frases simples bastam, como "sinto que estamos girando em círculos" ou "preciso de mais direção nas sessões". Profissionais experientes costumam receber esse retorno como parte do trabalho e podem ajustar o ritmo, o foco ou a forma de conduzir. Levar o assunto para a sessão também ajuda a perceber se o incômodo é com o profissional ou com uma fase difícil do processo. Se a conversa não trouxer mudança, ou se você não se sentir seguro para tê-la, a troca continua sendo uma escolha legítima.

Recomeçar com outro profissional

Na nova escolha, aproveite o que aprendeu: o que funcionou, o que faltou, que tipo de abordagem você procura. O guia sobre como escolher um psicólogo online e o de abordagens da psicoterapia ajudam nesse momento. Na primeira sessão, conte que já fez terapia e o que gostaria de diferente.

Se você está em um momento difícil e a troca deixou um intervalo sem acompanhamento, lembre que o CVV atende pelo 188, 24 horas por dia.

Perguntas frequentes

É errado trocar de psicólogo?
Não. Trocar de profissional é legítimo quando a relação não funciona, a abordagem não faz sentido ou há quebra de confiança. Conversar antes ajuda, mas a decisão é sua.
Preciso explicar ao psicólogo por que estou saindo?
Não é obrigatório. Uma conversa breve costuma ajudar a encerrar com cuidado, mas você pode simplesmente comunicar a decisão.
O que fazer se o psicólogo agiu de forma antiética?
Você pode encerrar o atendimento imediatamente e levar a situação ao Conselho Regional de Psicologia da região do profissional.
Posso voltar para o mesmo psicólogo depois de um tempo?
Em geral, sim. Muitas pessoas retomam a terapia com o mesmo profissional em outro momento da vida, se houver disponibilidade dos dois lados.
Posso fazer uma pausa na terapia sem encerrar?
Sim. Uma pausa combinada com o profissional permite planejar a retomada e o que fazer se algo difícil acontecer no intervalo.

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