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Terapia do esquema para mulheres: autossacrifício, padrões rígidos e outros padrões que se repetem

Muitas mulheres reconhecem padrões que se repetem: cuidar de todos, se cobrar demais, não se colocar. A terapia do esquema trabalha esses padrões. Veja como.

  • Abordagem: Terapia do esquema
  • Público: Mulheres

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Muitas mulheres chegam à terapia descrevendo padrões que se repetem há anos: cuidar de todos e esquecer de si, cobrar-se de forma implacável, ceder para evitar conflitos, escolher parceiros que não correspondem ao afeto oferecido. A terapia do esquema, desenvolvida por Jeffrey Young a partir da terapia cognitivo-comportamental, oferece uma forma estruturada de entender e mudar esses padrões. Este guia explica como ela pode ajudar mulheres.

O que são esquemas

Na terapia do esquema, esquemas são padrões amplos de pensamentos, emoções e memórias, formados geralmente cedo na vida, a partir de necessidades emocionais que não foram atendidas. Eles influenciam como a pessoa vê a si mesma, os outros e o mundo, e tendem a se repetir na vida adulta, mesmo quando trazem sofrimento.

Esquemas que aparecem com frequência em mulheres

Alguns esquemas costumam ser relatados por muitas mulheres, influenciados também por expectativas sociais:

  1. autossacrifício: priorizar sempre as necessidades dos outros;
  2. padrões inflexíveis: exigências muito altas de desempenho e perfeição;
  3. subjugação: ceder ao outro para evitar conflito ou rejeição;
  4. busca de aprovação: depender do reconhecimento dos outros;
  5. defectividade: sentir que há algo errado em si;
  6. abandono: medo intenso de ser deixada.

A influência das expectativas sociais

Expectativas sobre o papel da mulher, como cuidar, agradar e manter a harmonia, podem reforçar esquemas como autossacrifício e subjugação. A terapia do esquema não ignora esse contexto: ajuda a mulher a perceber o que vem da própria história e o que vem de mensagens sociais, e a escolher como quer viver.

Modos: os estados do momento

Além dos esquemas, a abordagem trabalha com modos, que são estados emocionais e comportamentais do momento. Por exemplo, um modo crítico interno, que fala com dureza; um modo vulnerável, que sente medo e tristeza; um modo complacente, que cede para agradar. O objetivo é fortalecer o modo adulto saudável, capaz de acolher a vulnerabilidade e estabelecer limites.

Necessidades emocionais básicas

A terapia do esquema parte da ideia de que todas as pessoas têm necessidades emocionais básicas: segurança, aceitação, autonomia, expressão de sentimentos, espontaneidade e limites realistas. Quando essas necessidades não foram atendidas, surgem os esquemas. Na terapia, a mulher aprende a reconhecer e a atender essas necessidades na vida adulta.

Técnicas utilizadas

A terapia do esquema combina técnicas de diferentes linhas:

  • cognitivas: identificar e questionar crenças ligadas aos esquemas;
  • experienciais: imagens mentais e diálogos entre modos;
  • comportamentais: experimentar novas formas de agir no dia a dia;
  • relação terapêutica: o vínculo com o terapeuta como espaço de reparação.

Padrões em relacionamentos amorosos

Esquemas costumam influenciar a escolha de parceiros e a dinâmica das relações. Uma mulher com esquema de abandono pode se sentir atraída por parceiros instáveis; uma com subjugação pode ceder em tudo. A terapia ajuda a perceber esses padrões e a fazer escolhas mais conscientes.

Padrões no trabalho

No trabalho, esquemas como padrões inflexíveis e autossacrifício podem levar a sobrecarga, dificuldade de delegar e de dizer não, e cansaço extremo. Reconhecer o esquema em ação ajuda a estabelecer limites mais saudáveis.

Exemplo: a profissional que cuidava de todos

Imagine uma enfermeira de quarenta anos que cuida dos pacientes, dos pais idosos, dos irmãos e das amigas, mas nunca pede ajuda. Sente-se exausta e, às vezes, ressentida, e logo culpada pelo ressentimento. Na terapia do esquema, identifica o esquema de autossacrifício e entende sua origem em uma infância em que precisou cuidar da casa muito cedo. Por meio de exercícios com imagens e diálogos, entra em contato com a parte dela que também precisava de cuidado. Aos poucos, começa a dividir tarefas com os irmãos e a reservar tempo para si.

Limites e assertividade como parte do processo

Para muitas mulheres, uma parte importante da terapia do esquema envolve aprender a estabelecer limites e a expressar necessidades. Isso costuma ser praticado em sessão, por meio de ensaios e diálogos, e depois levado para situações reais: recusar um pedido, pedir ajuda, dizer o que incomoda no relacionamento. Cada experiência bem-sucedida enfraquece esquemas como subjugação e autossacrifício.

Culpa ao mudar padrões

Quando uma mulher começa a cuidar mais de si, é comum surgir culpa, como se estivesse sendo egoísta. A terapia do esquema entende essa culpa como uma reação do próprio esquema à mudança, e ajuda a sustentar as novas escolhas mesmo com o desconforto inicial.

Ritmo da terapia do esquema

A terapia do esquema costuma ser de médio a longo prazo, pois trabalha padrões antigos. As sessões são geralmente semanais. Algumas mudanças podem aparecer logo, mas a consolidação leva tempo.

Como escolher um terapeuta do esquema

Vale perguntar sobre a formação específica na abordagem, a experiência com as questões que você traz e como o profissional costuma organizar o processo.

Mulheres e a decisão de procurar a terapia do esquema

Se você percebe padrões que se repetem em relacionamentos, no trabalho ou na relação consigo mesma, e sente que eles trazem sofrimento, a terapia do esquema pode ajudar a entendê-los e a construir novas formas de viver.

Quando a angústia fica grande demais, o CVV (188) atende 24 horas e o SAMU (192) cuida das urgências.

Perguntas frequentes

Quais esquemas são comuns em mulheres?
Autossacrifício, padrões inflexíveis, subjugação, busca de aprovação, defectividade e abandono aparecem com frequência, influenciados também por expectativas sociais.
O que são modos na terapia do esquema?
São estados emocionais e comportamentais do momento, como o crítico interno ou o complacente. A terapia fortalece o modo adulto saudável.
A terapia do esquema é longa?
Costuma ser de médio a longo prazo, porque trabalha padrões antigos, embora algumas mudanças apareçam logo.

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